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Por Dr. Evandro Reis

Úlcera arterial: causa, motivo e tratamento

Úlcera arterial

Úlceras arteriais são um tipo de ferida provocada por problemas circulatórios. Aparecem nas pernas, geralmente na parte mais alta da canela ou nas extremidades dos dedos. São feridas de difícil tratamento e bastante dolorosas.

Acontece de maneira menos frequente que a úlcera venosa, que tem causas semelhantes.

Apesar disso, é importante ficar atento aos sintomas, pois é comum que este tipo de ferida seja confundindo com a úlcera venosa; no entanto, o tratamento da úlcera arterial é completamente diferente e um diagnóstico equivocado ou a automedicação pode trazer sérias consequências.

A úlcera arterial pode levar, inclusive, ao amputamento do membro afetado.

Quais as causas das úlceras arteriais?

A úlcera arterial ocorre quando placas de gordura se depositam nas artérias, impedindo o fluxo adequado do sangue. Por causa disso, o oxigênio e os nutrientes param de circular nos membros inferiores, levando as células a morrerem, originando as lesões. Está frequentemente associada à arteriosclerose.

Alguns fatores de risco também influenciam no surgimento deste tipo de úlcera, como diabetes não controlada, tabagismo, índices elevados de colesterol e triglicérides e hipertensão. É mais comum em pessoas acima dos 45 anos e afeta mais homens do que mulheres.

Quais os sintomas da úlcera arterial?

O paciente que apresenta feridas deste tipo geralmente começa a mancar constantemente, sente dor na perna com a ferida, mesmo em repouso e a dor piora ao se colocar o membro para cima. O alívio vem apenas quando a perna é deixada em repouso, para baixo.

É importante observar a ferida, que tem o formato circular e a pele em volta perde os pelos e apresenta temperatura bastante fria, devido à falta de oxigenação. A pele em volta também fica esbranquiçada e com a aparência de um buraco em sua volta. A úlcera geralmente surge após algum traumatismo, como uma batida, e principalmente onde os ossos são mais proeminentes, como na lateral dos pés, ou entre os dedos, e também acima da região da canela.

O pulso sanguíneo diminui e as unhas ficam mais espessas. Alguns pacientes também apresentam gangrena na região lesionada. As feridas, que sangram pouco e algumas vezes nem sangram, são bastante doloridas, sendo que a dor pode piorar à noite.

Qual é o tratamento da úlcera arterial?

O tratamento da úlcera arterial é completamente diferente do tratamento dado às úlceras venosas. Por este motivo, torna-se ainda mais importante o acompanhamento por um médico vascular.

Quem tem úlceras arteriais não pode, em hipótese alguma, utilizar métodos de compressão.

O tratamento varia muito de paciente para paciente, de acordo com suas condições clínicas, e pode variar desde medicamentos até cirurgias. Em casos muito graves, pode ocorrer amputação do membro.

Veja também: Ferida na perna: o que é, principais causas e como tratar

A ferida deve ser mantida limpa e com curativos específicos para este tipo de úlcera, principalmente porque a pele lesionada pode permitir a entrada de bactérias que podem levar a infecções. Tratamentos com medicamentos que aceleram a cicatrização também podem ser utilizados.

As doenças que causam as úlceras arteriais também precisam ser tratadas. Eliminar ou diminuir essas causas é fundamental para que as feridas cicatrizam mais rapidamente e não voltem a ocorrer.

Por isso é tão importante o acompanhamento médico: úlceras arteriais precisam ser tratadas com paciência, uma vez que sua cicatrização é mais difícil e lenta, podendo levar anos.

Prevenindo úlceras arteriais

Uma vez que as úlceras surgem em decorrência de doenças como a hipertensão, arteriosclerose e problemas circulatórios, algumas atitudes podem ser bastante úteis para evitar o aparecimento deste tipo de lesão.

Manter os níveis de colesterol e triglicerídeos dentro do normal, tratar adequadamente a pressão alta e a arteriosclerose e principalmente prestar atenção a feridas que demoram mais de três semanas para cicatrizar e também a sintomas que vem com a má circulação do sangue, como cansaço nas pernas, inchaço, dentre outros.

Atenção também a batidas e traumas na região das pernas e dos pés, principalmente em pessoas que estejam na faixa de idade em que estas úlceras são mais comuns. Verificar sempre esta região do corpo, procurando mudanças na cor, temperatura e textura da pele, surgimento de pequenas feridas, queda de pelos.

Combater o sedentarismo, praticando atividades físicas e tratar doenças como o tabagismo também contribuem bastante para o aumento da qualidade de vida do paciente e preservação de seu sistema circulatório, dentre inúmeros outros benefícios.

Manter o acompanhamento médico das chamadas “doenças de base”, ou seja, as doenças que estão por trás do desenvolvimento das úlceras arteriais é um fator decisivo para que a lesão possa ser detectada nos estágios iniciais, facilitando o tratamento e promovendo o bem-estar do paciente.

E, se a lesão já estiver mais avançada, manter o acompanhamento com o médico vascular, para que a ferida possa ser tratada da maneira correta.

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