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Por Dr. Evandro Reis

Úlceras nas pernas e a má cicatrização

Úlceras nas pernas e a má cicatrização

Ferida na perna que não cicatriza é sempre motivo de preocupação. Para os médicos, qualquer ferida que não sara em um prazo de 4 a 6 semanas deve ser tratada com mais atenção. Se o ferimento atinge o estágio crônico, ou seja, se a dificuldade de cicatrização é maior do que este período, passa a ser chamada de úlcera.

O que fazer se surgir uma ferida na perna que não cicatriza?

Antes de mais nada, é preciso observar se a ferida aumenta de tamanho, se há secreção (ou presença ou não de pus), seu formato, profundidade, se sangra e se está acompanhada de outros sintomas, como dor – seja no local da ferida, ao redor ou nas pernas -, se a temperatura da pele aumenta ou diminui, e principalmente, manter o local machucado limpo.

A causa das úlceras nas pernas está ligada, na maior parte das vezes, à circulação ineficiente. Assim, pacientes com problemas de circulação e hipertensão, assim como portadores de diabete, estão mais sujeitos a desenvolver úlceras nas pernas. Uma ferida simples, como um arranhão ou uma batida de leve podem levar ao surgimento de lesões doloridas, difíceis de tratar, com consequências na saúde e até mesmo afetar seu relacionamento social.

Deste modo, é importante saber quais são os tipos de úlceras na perna mais comuns e os tipos de tratamento. Afinal, quanto mais cedo se trata a ferida, mais fácil é a cicatrização e a recuperação. E procurar um médico assim que possível, para que o estado da ferida não venha a piorar.

Quais são os tipos de feridas mais comuns nas pernas?

Úlceras venosas

As úlceras venosas são causadas pelo acúmulo de sangue nas pernas, em pessoas que já têm um histórico prévio de má circulação sanguínea. O sangue acumulado não consegue fazer o caminho de volta até o coração, deixando o paciente com sensação de peso nas pernas.

A pressão sobre as veias aumenta e qualquer pequeno trauma, como uma batida ou um arranhão, facilita a entrada de bactérias na corrente sanguínea, levando ao surgimento de infecções e aumentando o tamanho da ferida, que passa a ser uma úlcera quando não cicatriza.

A pele ao redor da úlcera fica avermelhada e quente, com presença de secreção, geralmente purulenta. É bastante comum que o paciente se afaste do trabalho e até mesmo do convívio social, não apenas pela aparência da úlcera, mas em consequência das dores e da dificuldade de caminhar.

Podem ser utilizados, no tratamento, medicamentos, meias de compressão e elevação do membro afetado para melhorar a circulação. A limpeza constante do ferimento é fundamental para evitar o surgimento de novas infecções, assim como para facilitar a cicatrização. Em casos mais graves pode ser necessária a realização de cirurgia.

Úlceras arteriais

A úlcera arterial, apesar de menos comum, pode trazer muitos problemas ao paciente. Seu surgimento também está ligado a problemas de circulação, causados pelas chamadas “doenças de fundo”, como arteriosclerose e diabetes, por exemplo.

Neste caso, o que ocorre é que o sangue não chega até as pernas, seja porque as artérias ficaram obstruídas ou endurecidas. Como os tecidos nos membros inferiores não recebem oxigênio e nutrientes, começam a necrosar (morrer), facilitando o surgimento de feridas.

Ao contrário das úlceras venosas, levantar o membro afetado não diminui a dor, e compressão não auxilia o quadro, podendo até mesmo piorá-lo. As úlceras arteriais podem ser muito doloridas e dificultar a locomoção do paciente, já que a dor impede até mesmo que a pessoa apoie o membro no chão. O tratamento é longo e difícil, podendo levar inclusive à amputação.

O tratamento é feito à base de medicamentos e curativos especiais. Dependendo do caso, pode ser utilizada também a técnica de oxigenação hiperbárica, que ajuda a fechar e a cicatrizar a úlcera.

Em ambos os casos, tratar a doença que deu origem à má circulação é o que mais auxilia o tratamento. Manter a pressão sob controle, assim como a diabetes e índices de triglicérides de colesterol e a prática atividade física, quando isto for possível, atuam a favor da recuperação e da cicatrização da ferida.

É muito importante também que o paciente e as pessoas que convivem com ele saibam como limpar os ferimentos, quando não for possível o auxílio do profissional de saúde. O acompanhamento médico é de extrema importância nestes casos.

Dicas para evitar o aparecimento de úlceras nas pernas

  • enxugue bem as pernas após o banho
  • verifique o surgimento de feridas e arranhões, principalmente no caso de pacientes diabéticos, em que a sensibilidade pode ficar comprometida
  • observe a evolução destas feridas, se há aumento ou diminuição do tamanho, mudanças na textura da pele, assim como na temperatura
  • procure imediatamente um médico caso a ferida não cicatrize após 4 semanas de seu surgimento

Não tente usar receitas caseiras, pomadas antibióticas ou curativos de compressão por conta própria. Procure o médico especialista para tratar feridas que não cicatrizam da maneira adequada.

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