O desbridamento em feridas (também conhecido como raspagem) é um procedimento de remoção de tecido desvitalizado que pode ser necessário para o sucesso do tratamento de lesões crônicas.
Quando o desbridamento em ferida é indicado?
O desbridamento é indicado quando existe qualquer tecido morto no leito da ferida , tornando necessária a raspagem da lesão para permitir o processo de cicatrização.
Qual a necessidade dessa raspagem na ferida?
O tecido desvitalizado ou necrosado traz sérios problemas para a cicatrização.
Afinal, essa necrose acumula bactérias e aumenta o risco de infecções mais graves.
Além disso, forma uma barreira que impede o tratamento adequado do leito da ferida, dificultando a cicatrização.
Ou seja, o tecido morto é a primeira barreira a ser removida do leito da ferida para que o tratamento seja bem-sucedido.
Como funciona o desbridamento da ferida?
O desbridamento pode ser dividido em dois tipos: o instrumental conservador e o instrumental cirúrgico .
No caso do conservador, pode ser feito a beira leito, com ou sem anestesia local, e consiste na remoção única do tecido necrosado.
Já o desbridamento cirúrgico é indicado para casos mais graves e precisa ser feito em ambiente cirúrgico, pois requer anestesias gerais e outros procedimentos mais avançados.
Existem alternativas à realização do desbridamento de feridas?
Sim, existem, porém precisam ser analisadas com bastante cuidado.
Em casos de extrema urgência, recomenda-se o desbridamento instrumental. Mas quando esse procedimento é contraindicado, há a opção de outros métodos como o desbridamento autolítico ou o enzimático.
O desbridamento autolítico utiliza substâncias que deixam a necrose úmida e o processo é realizado pelos próprios macrófagos (células do sistema imunológico) do paciente.
Porém, com o umedecimento da necrose, aumentam os riscos de infecção, que podem ser reduzidos com a utilização de géis associados com Polihexanida (PHMB).
Esse tipo de desbridamento não costuma ser indicado para pacientes com a imunidade comprometida.
Já o desbridamento enzimático utiliza enzimas como a colagenase, fibrinolisina ou papaína.
Quais os cuidados devem ser tomados antes do desbridamento da ferida?
Antes de decidir por qualquer um desses métodos de desbridamento de ferida, o paciente deve ser avaliado em relação às suas condições de saúde.
Existem diversos suplementos nutricionais que diminuem o risco de complicações e podem ser ingeridos antes e após o procedimento.
Raramente é necessário, mas em caso de uso de medicamentos anticoagulantes ou em pacientes sob tratamentos quimioterápicos, é interessante a coleta de exames de sangue para verificar os níveis de plaquetas e coagulação do paciente.
Esse cuidado é essencial para evitar sangramentos.
Além disso, medicamentos como anti agregantes plaquetários e antigoagulantes devem ser interrompidos antes dos procedimentos, de acordo com a orientação médica.
Outro ponto importante é avaliar se o paciente consegue ficar parado durante todo o procedimento.
Pacientes inquietos e com problemas psiquiátricos podem dificultar a realização do desbridamento.
Em feridas nas pernas, principalmente as arteriais, antes de submeter o paciente ao procedimento, é necessária a realização do Índice de Pressão Tornozelo Braço.
É importante observar que índices inferiores a 0,5 contra indicam o desbridamento, pois a ferida não tem chances de cicatrizar, a não ser que seja submetida à correção cirúrgica.
Além disso, debridar feridas isquêmicas pode piorar a condição do paciente, devido à exposição de um tecido em que não existe circulação suficiente. Nesses casos, é primordial o encaminhamento para cirurgião vascular com urgência.
Quais cuidados após a raspagem da ferida?
Após o processo de limpeza da ferida, é comum haver sangramento.
Para lidar com isso, existem curativos que ajudam a parar o sangramento , como as placas de alginato de cálcio.
Quando não houver mais sangramento, os cuidados com a ferida devem ser tomados de acordo com a característica da lesão.
Geralmente essas feridas ainda mantêm sinais de infecção e devem ser tratadas com terapias tópicas adequadas para essa finalidade, usando a prata, o PHMB (polihexanida) ou DACC (Dialquil Carbonila)
A ferida também deve ser lavada de forma adequada com soro morno sob pressão .
Além disso, a pele em volta da ferida (chamada de perilesional) deve ser protegida para evitar a maceração (excesso de umidade).
O que fazer para diminuir a dor após o procedimento de desbridamento?
Uma boa dica é o paciente tomar um analgésico potente momentos antes do desbridamento da ferida , para que atinja os picos de concentração quando o procedimento terminar.
Outra alternativa é a utilização da laserterapia pré e pós-procedimento.
Isso porque o laser, usado na modalidade infravermelho, tem ação analgésica e anti-inflamatória.
Quais profissionais podem realizar o desbridamento em feridas?
Somente médicos e enfermeiros podem realizar o desbridamento em feridas.
Os enfermeiros são autorizados a realizarem o desbridamento instrumental conservador.
Já em casos de desbridamentos mais extensos e profundos, deve-se chamar um médico cirurgião geral, vascular ou plástico para realização do procedimento.
Caso a ferida fique muito profunda após o desbridamento, quais são os próximos passos para acelerar a cicatrização?
Existem diferentes formas de acelerar a cicatrização de uma ferida submetida ao desbridamento.
É importante entender que nenhuma ação isolada será suficiente , mas sim um conjunto de ações.
A cicatrização rápida envolve os seguintes pontos de atuação:
- Boa terapia tópica
- Tratamento das doenças de base que originaram a lesão
- Tratamento de doenças associadas
- Suplementação nutricional
- Terapias adjuvantes, como laserterapia, terapia por pressão negativa e oxigenoterapia hiperbárica.
Quais são os riscos de não realizar a raspagem da ferida?
O principal risco de não submeter a ferida ao desbridamento é aumentar a chance de infecção local e sistêmica.
Além disso, sem o desbridamento em feridas com tecido morto, torna-se impossível a cicatrização da lesão com qualquer outro tipo de tratamento.
E se a infecção ficar ainda mais grave, existem sérios riscos de amputação do membro.
Quais fatores levam à necrose na ferida?
A necrose é formada na pele devido à interrupção do suprimento de sangue no tecido.
Essa interrupção pode ter diversas causas, desde a ruptura de uma artéria até mesmo a oclusão (bloqueio) da artéria.
A falta de sangue deixa o tecido sem os nutrientes que ele precisa e, assim, as células morrem por um colapso estrutural.
Esse processo provoca, no primeiro momento, a formação de um tecido necrótico seco, ou necrose de coagulação, também chamada de escara.
E a liquefação dessa crosta seca vai formar um tecido amolecido, que receberá o nome de esfacelo.
A Doutor Feridas realiza o desbridamento das feridas?
Sim, realizamos praticamente todos os tipos de procedimentos voltados ao tratamento de feridas.
Em nossos consultórios ou no atendimento domiciliar, contamos com enfermeiros especialistas e médicos com experiência para executar o procedimento em segurança.
Além da raspagem da ferida, temos tratamentos adjuvantes e trabalhamos com os curativos mais avançados, a fim de acelerar a cicatrização.
Como diretor técnico da Doutor Feridas, tenho mais de vinte anos dedicados ao estudo e tratamento de feridas , com formação em Medicina e Enfermagem, com especialização em estomaterapia — área que lida com feridas, estomas e incontinências.
Ou seja, temos todo o conhecimento e experiência para realizar estes procedimentos delicados com o máximo de segurança e eficácia em todas as etapas do processo.
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